sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Separação



   Iludida mais uma vez pelo afeto passageiro, me contaminei. Mais cega do que outrora, procuro me guiar no mar de incertezas. As palavras docemente ditas, após pronunciadas, se perdem em escárnios. Entrego-me ao vício tortuoso de sua voz. Abandono todas as convicções ainda tão perdidas em mim.
    À espreita, espero mais um olhar. Um gesto. Consumida na proibida fumaça, lembro-me de cada beijo. Sinto meu corpo vibrar. Esqueço tudo. Tudo a minha volta já não importa. A música está ali. As recordações permanecem. O reencontro ocorrerá, repito. Repito para acreditar.
    Talvez houvesse um caminho mais fácil. Porém, não é o melhor. Não para mim. Por isso, deixo o silencio me possuir. Esqueço todo o resto e grito. Ecoando em minha alma, meu corpo responde. E assim, sei que não há mais mágoas, só certezas.
     Caminho trêmula ao luar. Agitada pelas emoções do dia. O perfume ainda em mim clama pela aproximação. Perdida em pensamentos, me afasto. Sossego. Busco outros sentimentos. Outras sensações. Entro em devaneios outra vez. Suspiro inutilmente. O ar cambaleante se nega a chegar. Aflita, renuncio a partida. Contudo, aceito-a. 

Um comentário:

  1. Parabéns querida! Maravilhoso seu texto. Me impressiono como você escreve bem.

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