quinta-feira, 13 de maio de 2021

Solar do júbilo

 



O sol não habita nela. Não, ela é o próprio sol, que ilumina o seu coração, que quer gritar a todo instante que a paixão se faz presente. Agora, embebida de outro tipo de sentimento - um menos ganancioso, é bem verdade -, deixa florescer todas as emoções necessárias para se construir um sorriso.

Quando foi a última vez que sentiu um pertencimento tão absoluto em uma melodia tão harmoniosa, porém sem caos? Talvez, nunca houve tal momento em que o encontro se enlaçou com o destino e se fez presente na hora certeira. Talvez, seus pensamentos estejam afetados pelo sentimento progressivo que se encaminha em direção do infinito. 

O que sabe, no presente momento, é que as pupilas dilatam e o pulso acelera, numa mínima lembrança de sua presença. Depois, respira fundo e tenta recordar do seu beijo. Este que mescla ternura e voracidade. Este que encanta e afaga. Este que se faz múltiplo e liberta a aura em formato de prosa. 

Cada canção ressoa de uma maneira. Esta, a de hoje, tão florida, parece várias em uma só. Por isso que vibra tão profundamente. Seus passos cruzaram com os seus e todo o resto se desfez em água cristalina. Esta que banha o corpo em véspera de desespero.

É porque a sua existência já faz a sua mais encantadora. É porque seus lábios são doces e inebriantes. É porque suas mãos tocam as suas e reconhece toda a complexidade de dividir o ar com ela. Ao seu lado, todas as fadas dançam e permitem a sua entrada. Todos os sinos ressoam. Todas as criaturas celestiais abrem os portões de sua morada e proclamam a permanência do júbilo eterno. Ao menos, enquanto está ali, na partilha dos minutos corridos. 

Mas, não deseja terminar esta escrita singela. Poderia escrever para todo sempre. Poderia cantar e contar para cada parte do Universo que a ama e todos os significados que esta sentença possui. Contudo, por hoje, suspira e se alegra em saber que o amanhã virá e o Tempo será justo, selando o reencontro tão esperado.

sábado, 8 de maio de 2021

Ela, que é feita de vendaval




O vento soprou em seus ouvidos mais uma vez. De mãos dadas com o infinito, obteve as respostas para as suas perguntas. Depois, se derreteu em lágrimas, mescladas com sorrisos. O pânico abala, mas também recarrega as energias. Em seguida, recorda do seu sorriso e a existência se justifica. 

Quando é a primeira vez que se descobre a paixão por alguém? Quando a madrugada e o tempo não são o suficiente para despejar todo o afeto que mora dentro do peito? As horas são finitas e a sua partida soa injustificável. Mas, pela necessidade da ida é que tão mais saborosa a presença. Entre dilúvios, melôs e pedidos, a realidade é a mais cristalina e doce de todas. 

Se o pedido da permanência foi concretizado, foi para que pudesse pertencer um pouco e caminhar, lado a lado, de qualquer maneira que fosse entregue. E quando vislumbra seus olhares tão profundos e verdadeiros, tudo se esvai e é somente júbilo e coração acelerado. Quando os seus braços se abrem, todos os oceanos jorram nos pés e os rios cantam em festa. E é por nós, para nós, que os pássaros entoam canções e o vento diz que sim. 

A ventania que habita sua pele roga pelo reencontro e confere a permissão necessária. Ainda, há o toque da brisa. Este que também disse sim, numa manhã um tanto sombria. Cada frase proclamada é apenas de confirmação. “Vá. Seja feliz. Não olhe para trás. É no hoje que se faz festejo e poesia”.

E foi. E fez. Somente.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Quando o vento soprou a verdade em seus ouvidos

 Fuga, suspiros e, depois, o alívio. O poder da sua existência banha o coração petrificado e, em seguida, enxerga apenas uma luz reluzente e rubra, que percorre toda a alma. Aquele encontro anunciado foi véspera de júbilo desmedido e tudo que veio depois apenas existiu para confirmar a sua intuição. Então, era para ter se entregue velozmente, mas o temor foi mais forte. Talvez, as construções cuidadosas sejam mais profundas ou tudo que importa é o gosto do seu beijo. E é por isso que escreve com tanta transparência e doçura, porque foi arrebatada por este sentimento tão intenso, que a faz proferir sentenças clichês. Esta é a doce sina dos apaixonados.

Assim, roga para o destino que seja cauteloso com os próximos passos a serem seguidos. Implora para o Universo que o pulo seja leve e o pouso tranquilo. Já não pode mais suportar escárnios e desilusões. Mas, nada disso importa no presente. O que importa é o seu sorriso suave, que embala seus sonhos, a recordação de seu jeito sensível, mesclado com toques de sarcasmo, a sua persistência em alcançar a felicidade plena e seguir o rumo que desejar. Há um misto de resiliência com paixão, que guia os passos dela. Assim, sente-se contagiada por toda energia candente que ela emana e já sabe a noção completa do que é alegria, sem fazer nenhum esforço. 

Entre entregas, conquistas e confissões, cada muro foi sendo quebrado com cada toque suave de gentileza e ternura que habitam em sua pele. O céu se ilumina e o mundo inteiro parece cantar em uníssono quando a sua presença é anunciada. É justamente esta sensação que tem ao encontrar o seu olhar profundo, as suas ações complexas, as suas palavras sinceras, é como se tudo fosse festa e o futuro fosse promissor. Não adianta negar o impossível: deseja sentir, com toda a dedicação existente no Universo, completamente, cada momento ao seu lado. Não quer perder nenhum segundo de contentamento, jamais quer que sentimentos negativos tomem conta dos seus caminhos e destruam qualquer laço criado.

 


 

Contudo, tenta vislumbrar onde está guardado o último gole de sensatez. Talvez, o tenha jogado fora, naquela manhã melancólica e dolorosa. Depois daqueles tortuosos instantes de desespero, decidiu não mais segurar seus desejos e deixou que as vontades determinassem cada escolha. De certa maneira, optou pelo incerto e queimou as dúvidas. Em seguida, proferiu baixinho que já era sua e não havia mais retorno ou salvação. Era e não saberia como esconder mais as emoções transbordantes e que já estavam sufocadas pelas tolas negações afirmadas. Na sua fuga, pensou com nitidez que queria uma libertação de algo que não sabia responder ao certo o que era. No entanto, era deste arrebatamento, desta sede que nunca cessa, que tentou escapar.

É sempre impactante constatar este tipo de verdade, porém o vento soprou na direção certa e conseguiu avistar a melhor resposta para cada danação. Na verdade, deixou que os pássaros cantassem outra vez, deixou que os sinos ressoassem no peito e prometeu, agora gritando, que já não importavam as lamentações, as promessas do passado, o receio das juras derramadas. Não, o que realmente é possível é fechar os olhos, saltar em direção do reencontro e deixar que o resto apareça devagar. O sim apenas começou e resta, no exato momento, saber que o presente é saboroso. Então, que a canção toque no último volume e dance até não aguentar mais. Até o infinito. Sem sombras, sem rancores, sem pedidos demasiados, somente suspirando.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

O deleite do encontro anunciado no outrora

 Era para ser desde o princípio. Naquela noite, sua voz invadiu seus pensamentos e seu coração. Entre um trago e outro, o olhar e o sorriso cativavam e houve uma espécie de certeza interna. Ao se encaminhar para ir embora, ainda olhou para trás, com o desejo de permanecer. Depois, veio todo o vendaval que continua tentando superar a cada dia. Existiu também o afastamento compulsório e a pausa para o que viria em seguida. Quando os gritos da madrugada cessaram e a liberdade, finalmente, chegou, decidiu como quis os próximos passos.

É difícil encontrar metáforas para o óbvio e sentenças diretas para o inexplicável. Quando, enfim, o reencontro aconteceu, de fato, as sensações eram tão mistas e as emoções estavam tão afloradas, que houve uma explosão de sentimentos. E tentou se segurar onde podia: nos afazeres cotidianos, no sarcasmo protetor, na fuga sem dimensão. A cada banho de realidade, mais certezas, menos abandono e mais coragem de olhar de frente e dizer sim para qualquer pergunta ou chance.






E foi porque disse sim, porque se despiu do medo e das dúvidas que enxergou seus olhos com mais nitidez. Outra vez, sua voz invadiu seu coração. Este órgão estilhaçado e um tanto amargurado, é bem verdade, pulsou cintilante, relembrando como é bater sem temor. Assim, soltou todas as cordas, os atravessamentos, as incertezas e correu para sua direção. Então, queria respirar cada respiro seu, sentir todos os seus toques e nunca mais soltar. Entre um suspiro e outro, havia o entardecer cósmico, o entendimento profundo, o dia que virou noite e foi dia outra vez.

E agora? Entre as milhares de possibilidades do destino, não seleciona nenhuma. Deixa que o sol bata na face e recorda de cada sensação. É sempre forte quando um beijo desequilibra os sentidos e reascende algo tão guardado. Quando é inesperado, é ainda mais doce. E doçura é o seu novo adjetivo preferido, porque a faz lembrar da canção mais melódica, suave e intensa que já escutou. Então, que ressoe em cada milímetro de sua pele e não cesse. Até que não possa mais, até o para sempre ou o nunca mais, até que os pássaros encontrem o caminho de volta. O até não importa. O hoje sim. 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Quando a fada escutou o vento

Lembro do seu olhar profundo e como seu rosto se tornou fixo em minha memória. Recordo de cada expressão quando nosso encontro aconteceu pela primeira vez. A surpresa fora tanta que as armaduras ruíram e fiquei perdida, neste encantamento revelador. Dali em diante, mirar o céu era como se estivesse ao seu lado. A sua voz embalava meus sonhos e as promessas eram profícuas. 

Não sei ao certo quando seu sorriso se desfez e nossos caminhos não mais se encontraram. Naquelas noites de outubro, deixamos que as dúvidas contaminassem nossos passos e a distância fosse cada vez mais intensa. Após o rompimento dos laços, cada lembrança era como fogo que ardia a pele. A cada minuto de abandono, o silêncio crescia e a certeza da despedida também. 

Contudo, fomos enganadas pelo destino, não foi? Quando tudo resetou e o Universo te trouxe de volta, as ações foram impossíveis. O mundo já era outro e seus braços não estavam mais presos aos meus. Mas, o retorno ocorreu. Ou tudo é confusão, confissão e poesia. Mas, já não importa. De alguma maneira, você permaneceu.

Hoje, os sinos tocaram novamente e foram por ti. Hoje, uma espécie de resgate foi possibilitado por um mago do destino, que se aproximou e soletrou as palavras que tanto desejei ouvir, lá, no outrora despedaçado. No entanto, não sei bem o que será de nós, do futuro ou do tempo. Tão pouco, se irei aguardar o final da resolução deste mistério. 




O que fica, aqui, é a absoluta convicção de que o antes foi acertado, que o seu sorriso foi sincero, que o som dos pássaros - naquele amanhecer insano - cantaram e eu já sabia que eu precisava daquele encontro. Ali, naquela cidade fria. Ali, sem querer partir jamais. Ali, onde pude enxergar um afeto tão sincero se construindo.

O resto é pó e toda uma estrada ainda para seguir.

domingo, 28 de março de 2021

Shhhh...


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Antes de conseguir prosseguir, é preciso expurgar todo o sentimento que transborda e aperta o peito. Entre promessas sem sentido e memórias silenciadas, tenta encontrar uma resposta mais alegre e menos melancólica para seus dias. Depois de insistir em tentar apagar de vez qualquer recordação de sua pele, lembra de sua voz e seu sorriso. Então, reconhece que falhou demasiadamente, para, depois, decidir encarar de frente, que já é dor e não mais festa e fantasia. Se um dia disse sim foi porque confiou nas boas novas trazidas pelo vento. Se pulou do abismo certeiro, foi por convicção de que estava acertando. Contudo, não é tão fácil assim, não é mesmo?

Em tempos de impossibilidades e desafetos, tudo cresceu. Seus passos eram consumidos pela dúvida, seu silêncio provocava mágoas e desespero. Cada vez mais a distância aumentava, junto com as lágrimas secas, presas na garganta. Os sonhos eram invadidos. As noites sem fim, condenavam a sua mente solitária. Caso fosse em uma situação distinta, abriria as portas, mergulharia na água salgada e as sensações se reduziriam. Mas, não foi assim. Não é assim que é. A sua realidade a esgota e todo o passado reluzente afagava a sua alma cansada. Sem paraíso, resta somente o amargor.

O seu desejo agora é abandonar esta escrita, recomeçar, procurar explicar melhor o que deseja dizer. Contudo, ao mesmo tempo, que ir até o fim, descobrir o que guarda o seu peito em chamas, a sua aura partida, o seu inconsciente que grita quando decide contar sobre seus devaneios. Talvez, jamais entregue todas as cartas rascunhadas na madrugada. Talvez, nunca mais conte para o mundo sobre suas emoções. Pelo menos, não para ela. As suas sentenças são pesadas demais. Não há como escutá-las mais uma vez sem desistir de continuar a trajetória. Caso termine este texto sem nexo, confirmará que apenas o vazio se mantém firme, junto com as ondas que molham a face. 

Não há mais salvação, repete para cada canção. Se o começo é diferente, o final já é reconhecido. Sempre é igual a hora de desistir. Só precisava de um sim, mas este jamais chegou. Por isso, roga pelo encontro da saída mais rápida e certeira. Implora para que a movimentação da espiritualidade seja um tantinho mais rápida. Aguarda a alvorada dos pássaros ou o novo ressoar dos sinos. Até para músicas desconhecidas se abriria, se estas tocassem no tom correto. Só não quer mais esta que insiste em continuar tocando. Não deseja mais pisar na mesma estrada. Roga por qualquer transformação no Universo, qualquer melodia descompromissada. Aguarda contando os segundos. Já passou da hora de compreender que o silêncio também é resposta, que nunca houve ilusão mais devastadora, que já foi e não pode ser mais.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Sorriso que condena


 Foi em direção das respostas certeiras. Depois, avistou o seu sorriso. Aí, suas forças se reduziram. Agora, coloca em palavras todo sentimento que habita a sua pele e já havia sido reconhecido desde o princípio. Como verbalizar algo tão inaudível, que apenas as respirações são capazes de traduzir? Em sua existência, viu um mar de certezas e respostas. Em seu sorriso, fincou bandeira e já sabia. Nunca duvidou dos seus sentimentos. Quando vislumbrou a sua presença, já reconhecia. Lá, no encontro prematuro. Ali, já possuía todas as respostas deste fragmentado presente. Enxergou os seus olhos e temeu. Procurou fugir, mas foi inevitável.

A cada amanhecer, as respostas eram cobertas por um aperto no peito que não cessava. Entre dúvidas e questionamentos, colocava-se diante do precipício mais singelo de todos. Enquanto desvendava as soluções para os enigmas daqueles sentimentos inevitáveis, procurava ter a certeza de suas ações. Quando foi o último suspiro destinado a ti? Procurava derrubar fantasias e memórias impossíveis de destruir. Entre uma lembrança e outra, tentava se agarrar aos fatos. Contudo, em seu tolo coração sentia que somente uma pausa era realizada. Gostaria de acreditar - com todas as forças que ainda habitam sua alma - que a canção era sonata, que jamais seria uma marcha fúnebre.

Neste descompasso - um tanto zonza e incapaz de coletar as sentenças necessárias -, cobriu-se de espinhos e negou, com toda a convicção que ainda lhe restou, que acabou e já para sempre. Jurou para todos que sentimento algum iria cobrir a tua face. Prometeu para o vento que é possível negar até o infinito. Contudo, entre os seus, rasga o peito de saudade. Invade as realidades, quebra com as lógicas, nega e pragueja os próximos passos. É sua e é inteira. É caos e tempestade. É canção que não acaba mais. E já não importa os escárnios proferidos entre os seus. Não interessa se do outro lado existe tão apenas pérfidos comentários. Já queimou todas as eternas trocas de desgosto. Não é por isso que se guia. Ela se pauta por suas missivas incompletas, por seus ruídos de dor, por seu gargalhar sem sentido, por sua certeza de que todas as metáforas farão sentido, enquanto consome as letras pregadas nesta confição.

E ela jura que será diferente, que será outra. E ela implora por um pouco mais de tempo, por um pouco mais de perdão. Depois, suspira e roga para todos os cantos do Universo que o seu respiro tenha sido real. Não pode ser, não é mesmo? Mas, é tão somente uma palavra. O resto é passo firme incendiado, é pranto seco em véspera de confirmação, é beijo negado diante da danação. É enorme, não é mesmo? Então, que queime até a fagulha derradeira.