O seu cheiro invade os campos suaves da alma, que entra em sinfonia a cada encontro com os seus lábios. Os seus braços aquecem o corpo, que treme intempestuoso, ao menor contato. Você, dona dos seus novos passos, conduz a dança ao espaço celeste da sua danação. Você, musa inspiradora eterna e cálida, evoca todas as emoções sonhadas no outrora.
Agora, nessa conquista seleta, despede-se dos agentes funestos da dor, abre as portas para os sorrisos profundos do gozo intenso e profundo, que somente suas mãos podem provocar. Ela é o sol, a tempestade e o vento. Ela é calmaria, destruição, gritaria e silêncio. Ela é complexidade em meio a um mar de interesses sólidos, de dias mesclados de sentimentos, de tudo que a vida pode oferecer.
Neste instante, ri de toda essa entrega. Pulou e nem percebeu, pobre Imperatriz. Mas, não mais se arrepende de se arremessar ao escuro, porque sabe que esse não é o erro fatal. Com os olhos mais abertos, nota a imensidão desta canção que, surpreendemente, veio para ficar. Ela é sua e vice-versa. Todos os pactos rubros de paixão fazem sentido em sua estação. Todas as promessas de girino, transformam-se em jornada e belas vivências.
Contudo, todas as suas palavras arremessadas em seu diário não são sobre a felicidade de um enlace frutífero. É também sobre isso, porém este é mais um pano de fundo para seu relato sobre tesão, paixão, suor e desejo. Quer mesmo é falar sobre movimentação coesa de corpos e gostos, de noites e vontades supridas, dessa correnteza que escorre durante a canção jubilosa e translúcida, sobre a perfeição dos cálices transbordantes.
Há coragem. Há paraísos descobertos. Há alvorada. Há janela aberta. Há chave na mão. Há sino que ressoa. Há tudo que foi quando não era para ter sido, mas, neste instante, da forma apropriada. É sua, se pertencem. O laço forte dos lábios candentes não se parte ao final da madrugada. Isso já bastaria e existe tanto mais depois disso...