segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jornada


  Há um ano atrás eu conheci uma diretora. Ela iria montar sua peça de pré-formatura, na Escola de Teatro da UFBA. O texto? Valsa Nº 6, escrito por Nelson Rodrigues. Eu, atriz iniciante, estava apreensiva, tensa e muito nervosa. Era um texto que eu amava e uma personagem que sempre quis fazer, mas não sabia se ela gostaria de mim. E se eu era capaz de fazer aquela menina tão desnorteada. 
  O nome da diretora? Ísis Barreto! Durante cinco meses trabalhamos juntas e no final das contas, apesar de todos os dramas e empecilhos, tudo deu certo. E, além de termos alcançado nosso objetivo, ganhamos uma amizade.
   Mal terminamos Valsa e a minha diretora já sabia qual seria seu espetáculo de formatura: Vestir os Nus, texto clássico do italiano Luigi Pirandello. Empolgada, ela se virou para mim e perguntou se eu não queria ser sua assistente neste novo processo. Respirei fundo. Pensei. Afinal, nunca havia desempenhado essa função. Aceitei. 
    Em abril, os trabalhos começaram. De levinho, mas começaram. Atores escolhidos e adaptação do texto pronta, Vestir os Nus teve seu primeiro ensaio no dia 16 de maio de 2011. E daí em diante, descobri cada vez mais o que é ser um assistente. E  aprendi muito sobre o que o ator deve e não deve fazer. Mas, acima de tudo, apesar de todo o cansaço e dificuldades, me senti realizada ao ver em cena aquelas personagens vivas em minha frente. Pude ver, também, atores comprometidos, equipe empenhada, além dos momentos divertidíssimos, é claro.
    Acredito que nos dois trabalhos que fiz com Ísis poderia destacar a palavra aprendizado. Talvez, ela seja aquela amiga e colega de trabalho que ainda mostrará muito sobre o mundo do teatro para mim. E, como eu já disse a ela várias vezes, espero que ainda trabalhemos muito juntas. Apesar dos pesares. De ela ser cabeça dura e teimosa. Defeitos todos nós temos. O importante é esta parceria criada.
    O que eu posso dizer, sem sombra de dúvida, é que quando as cortinas se fecham e o público vai embora, eu sorrio e me sinto completa.

2 comentários:

  1. Puxa, fiquei feliz em ter lido esse texto. Que bom que você reflete esse processo, ser assistente é realmente algo difícil, mas que nos permite aprender muitíssimo. Acho a parceria entre vocês duas muito bonita, e desejo, sinceramente, que prossiga no infinito. De fora eu percebi o quanto você é importante pra ela.
    Beijinhos.

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