sábado, 31 de dezembro de 2011

Ciclo. Gole. Início.

  Qual seria o melhor lugar para gritar que não aqui? Sim, são gritos abafados soterrando um próximo beijo que virá. Porque duvida. Inconstante como sempre foi. O mundo continua a rodar. A memória falha e só restam as palavras. Mesmo dia. Após um ciclo. A questão não muda. Transparente entregou o coração em prata pura.
  Correu para alcançar. Sorri para o que encontrou. Uma jornada mais limpa. Fiel. Sem perdas. A estrada tortuosa em chamas misericordiosas fez devaneios transcorrerem em passos largos. Firme e certa. Já não sabe se a luz vem de si os dos dourados fios que escorrem da sua imaginação. O engano mora em seu coração.
  A insana bárbara proclama saudações ao vento, entre candentes vibrações em um mar inconsequente. Ainda pulsa. Ainda percorre o impossível trilhar de um amanhecer em distúrbios. Somente a canção pode ditar quem realmente é.
  Não nega. As auras trouxeram outra vez as chamas. Impunes. Seletas. Sensíveis. Serenas. Concretas. Partiu e já não sabe qual perfume encontrar. Segrega. Transcende. Entorpecida pela fumaça perdida ainda na varanda presa por uma promessa. Jamais seguida, nem ao menos selada. Em sólidos espasmos fugiu em direção da aurora tardia.
 Repete. Não engana. Sublima os sonhos outrora revelados. Na escrita, também. Jogados a ventania, em um pouco de escárnio. A herança que carrega em si, somente quem tocou em seus lábios conhece. Veneno que escorre em lúcido retrato. E o sorriso amargo. Entre olhares sepultados. Em rancores incisivos.
  Não voltará. Não mais se lembra. Perderam-se. Foi-se. Encontrou agora a metade. De uma face. De um rubor. De mais uma escrita e somente esta. A honesta e derradeira companheira. Nunca partirá. Sabe. Reconhece.
  O mistério se esvai. A música já parou. E já sabe para que lugar quer ser levada. Porém não sendo tola de pensar que conhece o rumo que seguirá. Apenas um tolo pode acreditar que somente de razão se faz o caminho perseguido. E voa o tempo. Descansa a pele. Renova conquistas. Todas. Está de volta a menina da janela. Com um sorriso no rosto e um punhal nas mãos. Só precisa abrir os olhos para ver que já foram queimadas as juras incendiadas de uma prosa rejuvenescida.
 Acaba então. Parou. Precisa não continuar. Revelar. Sangrar. Dentro. Expurgar. A história se finda quando o sol aparece. E já aconteceu. Se finda aqui mais um brutal ciclo infinito de pranto. E chegarão outros. Chegarão. Sempre chegarão.

sábado, 24 de dezembro de 2011

12 por 12

  É. Gostar de sofrer sem perceber. Sim, é complicado explicar. A intensidade cresce e o vento que mora dentro da sua alma voa numa rajada para fora. O mundo gira e tudo acontece. Ao redor vê muitos que correm. Ainda assim deseja o impossível. O instigante.
 Na verdade existem decepções. Não pelo feito ou dito. Mas, o oposto. A mente feminina tem dessas. Ou não. Talvez. Há uma sede pelo novo. Esta jamais será saciada. Existe também o carma do engano. A fumaça é a única fiel. Por que esconder que a vontade é maior por outros?
  No coração tem aquele tolo espaço maior para uns. E isso já não importa. Acho que morre sim. Na outra vida morreu, pelo menos. O olhar transformado deixa claro. Ou enxerga melhor o inevitável. A faísca que nunca habitou outro lugar a não ser a imaginação.
  Ao mínimo sussurro corre. Com um grito suplicante, afasta-se. Mas, um episódio revelou claramente a verdade das situações. Agradável é, de fato, o cortejar. Porém a pele cansa. A mente também. Resta metade e outra metade. As emoções. Partidas e estilhaçadas. Sim, não pode se esquecer jamais desta verdade.
  A sincera lágrima misturada. A vertigem. O tempo que comanda a canção e o ritmo. Não é claro, mas é cristalino. O sorriso e o conforto. Não saberá, porém, o real mar de alegrias planejadas. Desfalece aqui a intenção que pode nascer em outra estrada, em outro momento.
  E já é festa outra vez. Não dentro das auras suplicantes. Nervosas. Sugadoras. Manipuladoras. Desatenta foge para o precipício. E não há razão para preferir seus possessivos abraços. Quando a paixão vier será sem surpresas. Derramará mais pouco de pranto e prosseguirá. Se por acaso o inverso ocorrer, talvez venha um pequeno arrependimento, seguido de esquecimento.
  Pequeno. Tão pequeno. Na verdade, a possibilidade de uma grandeza diminua um coração gélido e amargurado. Que deixa marcas e rastros. Somente jubilo para seu algoz. E para a magia da posterior e suposta questão, um sopro no ar e um murmúrio de qualquer felicitação abafada pela ventania quente da montanha coberta de névoa candente.
   Basta somente um pouco de atenção para ver que algo mudou. Não precisa muito. É preciso só olhar com atenção. Não esmoreceu. Mudou e pronto. E quando estava chegando ao topo deslizou outra vez. Agora o som distante dos pássaros diz para esquecer. Gargalhar das tolices. Perceber que vão todos. O grau. O calor. A proximidade. E escolhas. Elas são feitas. Não podem ser mudadas. Arrisca-se então e continuará neste eterno ciclo de farsas cobertas de purezas.
   Para a nova jornada, somente uma palavra: Recomeço.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Para falar um pouco de mim...

   Amo. Amo sim. Ainda amo mesmo depois de tudo. De uma mágoa que jamais pensei superar. A menina que esperava a paixão cinematográfica aparecer, morreu. Veio então a esperança de um amor eterno e candente. Em seguida chamas. De dor e mágoa. E esta mágoa ficou em meu coração. Os lobos me cercam. Gargalham da tola juventude e paixão desmedida. Não importa.
   O mundo que se apague. Mais um ciclo se completa e sei. Não há palavra rancorosa ou abandono que faça esmorecer meu amor. O problema é a mágoa. Sim, esta palavra me segue. Sem rumo não sei como não desconfiar. Com os olhos atentos espero seu próximo passo, para depois agir. Não é medo. A coragem preenche o peito incendiado de vontades. Mas, há um resquício de tristeza pela forma como o fim ocorreu. Talvez não importe tudo isso, afinal uma nova jornada começou. É preciso ter calma. Queria poder pedir somente isto. Mas, veja bem, não existe nada para ser pedido. Nada é nada e se é nada, não há o que querer.
   A liberdade custa muito. Eu prefiro o tempo. O ódio por ele não leva a lugar algum. E esta escrita está muito mal feita. Acredito que a razão seja clara. O poeta é um fingidor, e eu não sou. Nem poeta, muito menos fingidora. Então, isto nada mais é que sentenças mal conjugadas de um sentimento que pertence somente a mim. Exposto para um pequeno mundo cibernético. Poucos lerão. Porém, ao mundo ele está lançado. Contudo, não é isso que importa.
   Talvez esta sinceridade seja tola. Mas, digo tudo. Não encontrarão sorrisos ou meias verdades. Digo a verdade, mesmo que esta machuque. E sempre as feridas ficam em mim. Não sou vítima. Nem quero ser. Porém, isto é real. A impulsividade é devastadora e assim sigo. Em dias vazios. Em turbulência de atividades. Em milhares de funções. A solidão ainda perturba. Sou feliz sim. E isso nem era o que queria dizer. O que preciso falar é que as ações virão quando o coração se recuperar. O que é sincero e concreto não se desvanece pela distância ou por uma trégua de sentimentos mostrados. Na verdade, acredito mais num sentimento crescente do que em um instantâneo. Agora, ele renasce. Sem medo ele poderá florescer. Sem medusas por perto, é claro. Sem batalhas em reinos distantes. Sem reis bobalhões que abandonam deusas com o coração partido. Sem desaprovação de elfos e sacerdotes. E o melhor, sem dramas.
   Tudo zera. E é a partir deste momento que vale. Somos sempre renovação. E o sentimento foi renovado. Resta ver como o destino brincará comigo desta vez. Espero que ele seja caridoso. Sério. Eu espero isso mesmo. E que o vento me abençoe e traga boas novas.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Seguindo...

  Parecia simples. Algo corriqueiro. Na verdade, sempre foi assim. As obrigações eram cumpridas e logo esquecidas. Depois, ensinaram-me o real significado de honra. Demorou, mas compreendi. Ao olhar as palavras escritas o orgulho atingiu o maior brilho existente. O sorriso veio e um pouco de lágrimas. De alegria, todas de alegria. Talvez a juventude seja tola, como afirmou um certo mestre que encontrei por aí. Mas, a jovialidade pulsa vibrante em minha alma.
  O vento sumiu. Procuro por ele. Sou correspondida e sei que sigo o caminho correto. A vocação pode estar ali, distante do que pensava. É difícil admitir, porém é preciso aceitar quando o chamado é recebido. A luta é enorme. O caminho insuportavelmente difícil, contudo é melhor aproveitar cada segundo desta emoção inexplicável.
  Os dias passarão e jamais esquecerei. Fiz certo. Não corri. Não caminhei pela trilha mais fácil. Tive dúvidas, desilusões, conflitos pessoais, mas segui. Continuar é o mais importante. Queria gritar para o mundo o quão grande é a minha felicidade agora.
  E tempo escorre. E a decisão se aproxima. Porém, quem disse que tenho que correr e decidir. Venham todos. Celebrem comigo esta pura madrugada. Que inebria. Que chama pelo amanhecer que será em alguns instantes. Sopro iluminado. Eu canto luz candente. Vejo a aurora resplandecente nos olhos de quem nunca deixou a oportunidade passar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A porta

 
  Então veio a dor. Com ela mil disparadas no coração. Ao revisitar um pouco daquela história soube que faz o mais correto. Não se atire no próximo precipício, gritam todos. A vontade é de pular. Esquecer tudo.
  Respira. Lê cada palavra e recorda. Sim. Foi lá, naquele tortuoso passado que sua alma foi estilhaçada. Recolhe agora os pedaços e ergue-se para um novo amanhã. Cheia de vida, esperança e com a luz mais brilhante de todas.
  A fumaça despeja a inconsciente e rasteira raiva ainda restante em sua aura. Respira. Não deveria atormentar-se com outrora. Outrora já foi junto com as lágrimas que jamais quer derramar outra vez. Sorri. Seu futuro lança chamas que nem com o vento se apagam.
  A escolha foi feita. O caminho trilhado. O encontro selado naquele entardecer. Foi sim. O grito de jubilo abafado ainda ecoa. Existe o beijo, a madrugada e o silêncio. Há também a salvação liberta na sentença da escrita. A inspiração nunca é negada. É proclamada. Incendiada. Coberta pelas flores da aurora que resplandece. 
  O amor negado. O próximo caos desvanecido. Apaga. Queima. Arde e já sabe a razão do calor. Foi o que viu. Há pouco tempo. Algumas horas. E queima, sim. Todas as ideias fervilham. Talvez resultado do que foi visto. Mas, o que importa é a narração desta vida, contada em fragmentos. Dias recortados. Viveu. Muito. Ainda quer mais. A sede é incomensurável. Sede causada pelo desejo imenso de repetir que a liberdade mais intensa somente pode ser cedida por aquele que conduz sua jornada. Sim, cada um decide seu destino, ainda que o tempo machuque a pele amargurada. Ferida. Descompensada. 
   Os olhos não se fecham. O sol se aproxima. Doçura. Encanto. Voz suave. Canto inventado. As lembranças giram em sua perversa madrugada. Porém, é feliz. Não nega. Não há porque negar. As pernas tremem. A porta se abre. A ventania que sai de seu corpo celebra a imensidão de vontades. Quer dizer e não diz. Não sabe como explicar.
   Antes. Agora. Futuro. Alerta. Confiante sobre os passos novos que traça enquanto as horas insistem em passar. Passam. Infiéis. Insensatas. Se ao menos ralentadas fossem não haveria de se preocupar. Não congelam. Não perdoam. Caem sobre o inconstante tempo que seguram aqueles que assim permitem.

sábado, 5 de novembro de 2011

Yes!



  Agora sim chegou a primavera. O vento. A chuva. Tentam dizer que não, mas há algo maior. Surge. Ilumina. Encanta. Novos passos e um novo começo. A pele vibra. Um dia. Um minuto. Tudo muda. Já foi. E não é mais. Suspira. Respira. Tenta pensar mais calmamente.
  Os dias mudaram. Não enxerga cinza o céu em névoa. Amanhece e escuta canções da inesquecível tarde. A euforia. A descoberta. O encontro. Existe. A mágica do destino faz o tempo girar e revirar a vida. Junta os pedaços estilhaçados de um coração de cristal. Sossega a alma abandonada. Traduz sentidos.
    Emoções. Sensações. Palavras que jamais conseguirão explicar o que foi visto. Talvez conquistado. É cedo. Sim, é sempre. Não pulará em tentações. Sabiamente conduzirá a jornada. Que se inicia. Que contagia. Inebria completamente o solitário amanhecer modificado. 
     Um sonho. Materializado. Modificado. Melhor. Real. A lua virá. Juntamente com o sorriso. E no mais inesperado abraço reconhecido, encontra um mar de felicidade. Um júbilo incomensurável. Que a seguirá. Por um tempo. Por algumas horas, minutos. Para toda a eternidade.

sábado, 29 de outubro de 2011

Agora Sabe

   Duvidar. Relutar. Ser receoso. Num mar revolto de ser e jamais alcançar sanidade. Desejar sem ao menos saber se respira. Desiludir-se. Embriagar-se. Reconstruir o cotidiano repleto de confusões e incertezas. Vêm sorrisos, depois as chamas. Foram dias de eternidade completas. Ciclos e mais ciclos. Completos e regenerados. Sagrados. Refeitos.
    Sombras invadem o amanhecer sonoro e curioso. Despertar já é uma questão. Um questionar, na verdade. Cumprir. Dia após dia. Tarefas. Demandas sufocantes. O olhar. Sabe. Sabe e teme. Foi naquele mesmo abismo que se atirou que agora encontra a solução. Pergunta-se. Reflete. Já não pensava que seria dor, somente mar de prazeres.
    O jubilo escorre nas lembranças. Suspira e gargalha ao recordar. Descansa. Repousa e aproveita os raros instantes livres. De todas as obrigações. Reclamações. Satisfações. A boca. O vento. O mesmo lugar. O começo. O retorno. O fim. E cá está de novo em mais uma jornada. A solução. Redenção. A tempestade. Avança em pequenos passos para mais caminhos que se abrem a cada aurora. Que resplandece. Esmorece. Na neblina que jaz pacificamente na estrada da alvorada perdida. São combinações. Sensações sublimadas.
     Acalma-se. Adormece. Reconhece as sensações que permanecem. Espera. Aguarda. Surpreende-se com toda a paciência dentro de si. E deixa a luz reascender, lentamente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Sopro

  Um grito. Um silêncio. Mais um pouco daquele gole de verdade derramada. Certezas. Impurezas. Raiva que dilacera. Transfigura-se. Decepciona. A covardia é o ato mais impuro. Talvez. Sempre em círculos. O mar. O vento. O sopro gélido das manhãs abençoadas. A face. À espreita. Envolta de pena e nada mais. Ponto. Final? Ainda. Depois. E um pouco mais.
  São as correntes. É a fala. A ação desaparece. Vê-se claramente o que é. A realidade. Os sinais de concretude. A vitalidade. Coragem. Força. Determinação. A juventude. Em muito. E também em quase nada. A correnteza traz as respostas. E as julga. Perde-se na ventania dos próprios batimentos da alma. Do doce amargar da solidão. Da falta. De um olhar que repudiasse e assumisse falhas diante do espelho. Buscou e encontrou.
  Nada faz nenhum sentido. Somente as palavras escritas enquanto respira. É o mesmo. Sinal. Chama. Paz. Retorno. Silêncio. Solidão. Angústia. Ciclo. Verdade. Regresso. Lembranças. Passado infinito. Retalhando. Desfigurado. Perdido. Recuperado. Solto. Assim como a brisa ensurdecedora em seus ouvidos.
   Canto forte. Rima fraca. Olhares cobertos de tudo que já se misturou na terra. Desmedida vontade. Insegura. Provoca a madrugada que exclama que há pelo que se viver. E há mesmo. A pele. O anoitecer. O luar. A memória. O significado permanece. A sombra se desfaz. Vê o sorriso daquela garota que gostaria de chorar quando ainda era muito menina.
    A imagem não mente. É antiga, mas não mente. A alegria não estava ali. Acabou. Já não existe possibilidade de terminar bem. Misturou sentimento com texto, enquanto olhava sua velha foto. Continuar é impossível. Restam vestígios de lucidez e a emoção bate agora em sua porta. Virou clichê. Bobagens à toa. Engole sorrisos. Mágoas. O ontem. O possível amanhã. E o chamado para atrapalhar outra vez. Não deve ser muito complicado compreender que para cada sensação transcrita é preciso foco.
     Não há mais solução. É preciso parar. Em qualquer momento os sinos tocarão e desvanecerá em cinzas. A sua luz se estingue. Vibra. Soluça. Ainda tonta dos desejos esquecidos. Quase. Levanta-se. Ergue. Degusta mais um pouco da fumaça e deixa que o vento a fortaleça.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um grito. Um silêncio.

  Há tanta raiva que inflama os pulmões. Uma vontade enorme de gritar. São tantas ordens, leis, sentenças. Era mais fácil inutilizar sua alma e reconstruí-la. Não existe forma de moldar-se para agradar cada pessoa que importa. Porque ainda tem os que não importam e clamam também. É desnecessário, cruel, impiedoso. A certeza de que a felicidade é impossível machuca infinitamente.
   Solidão é seu futuro. Pois se as setas apontam em direções opostas o rumo é somente desgosto. Luta. Sim. Bravamente tenta não perder os que a cercam, mas só encontra derrotas. Fatalista? Talvez. Só dúvidas pairam enquanto escreve. Tormento sem fim. E seus problemas de nada servem. São migalhas. Nada. Diante de um mundo cheio de misérias. E deixa a infelicidade tomar conta de seu coração. Por isso vem o tédio. Não sabe. A lança dilacera suas forças. A dor. O vazio. Um rumo lento e despercebido. Ainda há a nostalgia que insiste em aparecer em sua perdida mente.
   Se outrora foi belo, por que no passado não sentia tudo isto? Não aproveitou nem o antes, nem aproveita o agora. Palavras e mais palavras. E nada muda. Só os anos que passam. É a mesma vida. Outras faces.
    Corre. A menina corre desesperada. Sem rumo. Sem certezas. Só com o peito apertado e a fumaça para inebriá-la.
    Enquanto sorri, sua alma chora. Porque não há nada que a machuque mais do que o desdém. Arma letal, fatal para seu descompassado ser soturno.
    O vento vem sim. E ela deleita-se. São eles seus companheiros. E mais nada. Porque o caos a sua volta faz crescer um medo interminável. Quer não perder e é sempre deixada. Quer voar e não pode. A liberdade nunca chega. Os pedidos não são revelados. É a pura e cristalina verdade que sai de suas mãos. Agora. Neste instante. A menina quer gritar. Enquanto todos murmuram. Enquanto a vida passa. Não quer mais torres, cadeados, insistências, cobranças. Quer que desapareçam rancores. Quer implorar para ser ouvida. Mas, quando fala as palavras tolas afundam seus pensamentos.
   Suspira. Respira. Está tudo de cabeça para baixo. E sabe que sorrir e acenar é mais fácil. Porém, queria parar o tempo de vez. Recomeçar tudo. Reviver algumas coisas.
   Cada um que pede. Cada um que grita, briga e não enxerga. A sua força é disfarce. A mágoa é só de si. O vento é seu protetor. A madrugada seu consolo. A solidão é quem a persegue. A fumaça é a inimiga mais fiel, ainda assim necessária.
   Os dias passam lentos. A angústia é insensata. A vontade é esquecida. O retorno jamais alcançado. A promessa quase quebrada. A súplica não escutada. O dia que se aproxima. A maior certeza que não regressa. A paixão que se desvenda, talvez esta ainda seja um bálsamo. As faces. Rodando. Girando. Faces. Vozes que em sua frente repetem. Reptem. Repetem. Você não entende. Nunca poderá entender. Somente escuta. Engole o pranto. Continua. E assim que a última palavra sair, sorrirá. Enquanto o resto desaba, dentro de si.

Talvez, Virá

   Inspirada. Talvez. Um pouco de veneno escorre entre a fumaça soprada no novo amanhecer. Nunca fala de si. Da outra. De todos. São somente palavras jogadas ao vento para abençoar mais um dia. É quase nada. São delírios afogados num anoitecer gélido. Introspectiva aura que se esconde. Suspira. Apaga. Reconstrói. Só mais um pouco e o coração volta a disparar.
   Respira. Sossega. Deixa a alma lavar-se no translúcido mar revolto em chamas. Enlouquece. É necessário um pouco de loucura para limpar os devaneios do pensamento e das ideias futuras. Do caos desmedido. Das lágrimas que jamais virão. Da promessa que fez para si. E por ter feito não chegarão.
   Derrama as últimas gotas daquele frasco guardado. Ergue-se em direção ao futuro. Clama por uma resposta que tem certeza que nunca escutará. Não descobre. Acaba-se. Não solucionará nada. Viverá e ponto final. Não adianta querer quebrar mais uma incerteza. Todas virão. A ventania selou o pacto feito com ele. E na última lágrima derramada jurou e não nega. Jurou porque precisava. Jurou porque queria. Jurou e pronto.
    Agora enxerga a luz voltar. Seu corpo vibra e incendeia o espaço. Corre. Por sua jornada. Que se estende pela infinita alvorada do redescobrir quem foi e é. Sabe, agora, sim. Sempre soube e reprimia. Sorri. Dessa vez por vontade. Olha mais uma vez sua janela. E o dia vai começar mais uma vez...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

What if I...

  Amarga. Sensata. Distante. Escuta de longe os clamores sentenciados. Foge. Escapa. Encontra na divina face o equilíbrio desejado. Sonha, procura, esquece. Partiu para a imensidão certa daqueles braços outrora seus. Murmura. Enlouquece. Vaga na concupiscência ardente.
 Amadurece. Traz um pouco de lucidez para si. Ácida. Gélida. Queima no calor da outra morte reconhecida. Delira. Perde-se. Encontra a solução um pouco despercebida. Amanhece. Retorna ao estado escolhido. Sem rubores. Sem promessas. Acalenta-se com o vento e recupera a madrugada em delírios.
  Reconhecido canto adormece angústias. Pedidos. Infinitos. Tensa. Trabalhos sem fim. Suspira. Outro gole de alegria e a jornada continua. Sorri. Relembra. Sente. Apagam-se torturas. Não ouve. Não enxerga. Só há neblina ao seu redor. Pensamentos, recorrentes. Verdades, seladas. Frio candente acelera a alma na bruma do desconhecido.
   Suplicante. Elevada. Na mais infinita madrugada. Surpreende-se com a sincera euforia. São os dias. É o nada. São horas. É o punhal certeiro da sorte. São as correntes quebradas. É a luz que incendeia a aura. São os momentos. É a clareza das ideias. São as canções. É a vida. São os olhos. É a fumaça. São os pássaros. É tudo que floresce na nova temporada. Do júbilo reluzente da mais nova salvação encontrada.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Gosto


  Hedonista sim. Coberta de falhas e melancolias desnecessárias. Agora, vislumbra uma saída. Enfim livre. De qualquer dor ou perdição. Conhece a capacidade existente em seu coração. Em prantos da madrugada jurou para si mesma que jamais repetiria a ação de outrora. Em profunda e pequena desgraça recompôs a face risonha. 
  Reconstruiu a alma em pedaços. Soube. Renegou. Flutuou nas descobertas. Cresceu em mentiras sinceras. Lutou para apagar determinismos. Fugiu para separar-se da realidade sombria de seus dias. Anoiteceu o coração descompassado. Assassinou o despudor acelerado. Calou-se. Rompeu-se. Dilacerou-se. Renasceu na madrugada coberta pela fumaça despercebida.
   Veio vento. Com ele a salvação. Embriagada outra vez regressou ao estado lamentável das dúvidas. Que logo se apagaram quando abriu os olhos. Tensos. Lúgubres. Taciturnos. Sozinhos. Suspirou. Era hora de levantar-se para a realidade. A fantasia acaba quando se partem laços.
    Correu. Cedeu. Vibrou. Sabia que nada era capaz de detê-la. Sentou-se à beira mar, livros atirados a sua volta. Chorou. Respirou profundamente. Abandonou. E espera. Somente. Tão somente espera. Que na maior dor perdida e sincera venha o eterno jubilo de saber quem é, na perdição das horas insensatas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sem título

  Apesar de negar, queria acreditar. Desarmou-se e deixou o tempo mostrar o que pode ser a vida. Acreditou. Com todas as forças. Agora, sorri de sua tolice compulsiva. De suas aventuras fantasiosas. Ri de si. Neste instante. Retorna. Não é sonho. É tudo real. E a próxima palavra pode acabar tudo. O minuto seguinte pode destruir o castelo alcançado.
   Se  a mágoa e a tristeza vieram, deixa-se embebedar delas. Deixa que as trevas devorem seu coração. Agora, gélido. Cristalinamente frio. Repete para ver se acontece. A mágica da mudança. Quer ver se apaga essa chama dentro de si. Da vontade despudorada. Das mais lindas sensações vividas e revividas. Quer apagar essa candente vontade. Ser outra, talvez.
    O caminho é mais tortuoso do que pensava. Mais solitário também. É parar. Ver que não há mais como fazer tudo aquilo. As informações misturam-se. Confundem-se. E sabe que é preciso esquecer um tanto de gente que acreditava antes.
   São diversas sensações. Num mar de decepções. Aquela que a olhava com um olhar amigo, doce e sensível, nada mais era do que mais uma pessoa em seu caminho para fazê-la não acreditar em ninguém. Bem que a dona das chaves da torre avisou. O cuidado é o caminho mais fácil para solidão, mas a dor é evitada. E, justamente, aquela amiga que pensava ganhar, foi apagada no momento em que escrevia.
    A fada de luz que diminui, conhece bem suas falhas. Todos as têm. Não é esse o problema. A questão está em seu coração aberto. Que mesmo sem parecer, agrega tantos. É preciso ser mais forte. Mais dura. Mais desconfiada. Nada poderá abalá-la se conseguir seguir o caminho que deseja.
     Então, fará. Sem vacilar. Sem controlar o que faz. É confuso. Mas, é controlar sentimentos e não as verdades. E há o mundo. Há tantas possibilidades de salvação. E a Fada Dourada, a última confiada amiga, tem razão. Tem a solução necessária. É só fechar os olhos e abri-los para o amanhã que despertará daqui a pouco. É só esquecer e não duvidar de si. É só frear impulsos de engolir o universo de uma vez. Passo por passo. A liberdade de sua alma, de seu coração, mente, sensação, força, de sua tão sonhada conquista, virá.
    Calma, disse a outra. Enxugue suas lágrimas e veja que lá, do outro lado, existe a alegria. Então, a menina sorriu novamente. Guardou um pouco de rancor. Jogou fora o ódio. Esqueceu o olhar. Duvidou de si por alguns segundos. Respirou. Olhou para o céu e até dele duvidou. Desabou. Suspirou. Gritou. Sufocada em prantos. Ressuscitou a fala. Recarregou a energia que lhe faltava. Respirou novamente. E soube que ainda que doesse, seu destino mudaria dali em diante. Não adianta tentar encontrar. O tempo é leal. O coração é fraco. Porém, quando o amanhecer chegar...ela saberá o que fazer. Com toda a sua juventude no seu peito. Exclamando para o vento o que há de bom em viver. Com o que ainda há para ser visto. Viu pouco. Muito pouco.
       Devaneios percorrem o corpo. Sela o pacto consigo. Expurga a morte. E dentro de si algo se transforma.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jornada


  Há um ano eu conheci uma diretora. Ela iria montar sua peça de pré-formatura, na Escola de Teatro da UFBA. O texto? Valsa Nº 6, escrito por Nelson Rodrigues. Eu, atriz iniciante, estava apreensiva, tensa e muito nervosa. Era um texto que eu amava e uma personagem que sempre quis fazer, mas não sabia se ela gostaria de mim. E se eu era capaz de fazer aquela menina tão desnorteada. 
  O nome da diretora? Ísis Barreto! Durante cinco meses trabalhamos juntas e no final das contas, apesar de todos os dramas e empecilhos, tudo deu certo. E, além de termos alcançado nosso objetivo, ganhamos uma amizade.
   Mal terminamos Valsa e a minha diretora já sabia qual seria seu espetáculo de formatura: Vestir os Nus, texto clássico do italiano Luigi Pirandello. Empolgada, ela se virou para mim e perguntou se eu não queria ser sua assistente neste novo processo. Respirei fundo. Pensei. Afinal, nunca havia desempenhado essa função. Aceitei. 
    Em abril, os trabalhos começaram. De levinho, mas começaram. Atores escolhidos e adaptação do texto pronta, Vestir os Nus teve seu primeiro ensaio no dia 16 de maio de 2011. E daí em diante, descobri cada vez mais o que é ser um assistente. E  aprendi muito sobre o que o ator deve e não deve fazer. Mas, acima de tudo, apesar de todo o cansaço e dificuldades, me senti realizada ao ver em cena aquelas personagens vivas em minha frente. Pude ver, também, atores comprometidos, equipe empenhada, além dos momentos divertidíssimos, é claro.
    Acredito que nos dois trabalhos que fiz com Ísis poderia destacar a palavra aprendizado. Talvez, ela seja aquela amiga e colega de trabalho que ainda mostrará muito sobre o mundo do teatro para mim. E, como eu já disse a ela várias vezes, espero que ainda trabalhemos muito juntas. Apesar dos pesares. De ela ser cabeça dura e teimosa. Defeitos todos nós temos. O importante é esta parceria criada.
    O que eu posso dizer, sem sombra de dúvida, é que quando as cortinas se fecham e o público vai embora, eu sorrio e me sinto completa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Última lágrima derramada

   É uma imagem. Uma miragem. O destino. Um fato atrás do outro. Uma dor. Um aperto no peito. O coração estilhaçado. Despedaçado. Segue arrastada, com apenas lágrimas nos olhos. A menina. Sim. Aquela que acreditou que o mundo era inesgotável de alegria. Agora, perde-se por qualquer lugar. Nem sabe mais onde está. Para que lugar irá.
  Não perdeu as esperanças de encontrar a felicidade. Não. Não é isso. Acontece que a menina é intensa. Então, sua dor é imensa. No entanto, tem a certeza de que o tempo cura tudo. Também, não quer dizer que desistiu. Nunca abandonará a força desse amor em sua alma. Ela está marcada, selada e conquistada eternamente.
  Quanto as aventuras que a vida pode trazer. Engolirá todas. Viverá. Correrá para a liberdade. Respirando novos ares. Deliciando-se com o que poder ser propiciado. Mas, seu coração voltará, outra vez, para o que acreditava. Sim. E não há nada para se fazer em relação a isto. A vida não é feita somente dessas emoções.
    A menina lutará para vencer todas as batalhas da vida. Com sua coragem e determinação. Mas, o que precisa ficar claro é que focará em tudo que não tratar de assuntos do coração. E que venham sorrisos. Ventania. Sim. Dirá sim. O não foi cortado. E o vento alimentará seus dias. E quando o sol raiar novamente, para ela, sua luz brilhará outra vez.

domingo, 4 de setembro de 2011

Para não falar de mim...

 
   Há uma mistura de tédio e alegria em sua alma. Há uma neblina de vontade. Estremecida em verdades. Em sentenças mal conjugadas. Todas as palavras, juntas, num espaço recorrente, já tão incidente, que a névoa afasta. Fugiu da torturante prisão que se encontrava. Correu para a suposta liberdade.
   Mais mentiras. Enganos e perda de sentimentos. Depois, com a realidade revelada, o abismo surgiu para envolvê-la. Agora, tudo parecia reconstruído, mas não. Não estava. Agora, a jornada será outra. Porém, não se importa. Já viveu muitas aventuras. Queria fixar-se. Parar o tempo. Ter lugar e pessoas fixas. No entanto, o destino sempre a joga para o novo.
   A liberdade virá. Mas, como usá-la é a questão essencial. Precisava daqueles cuidados. Daquela proteção. Sim, tem certeza de que ainda não consegue se proteger sozinha. Contudo, reconhece sua coragem e força. Determinação é o seu lema oficial.
     Solidão. Momentos de desilusão. O mundo desabando. O seu pequeno mundo de desgraças. Então, se dá conta de quão pequeno são aqueles impecílios. E há o mundo. Tantos sorrisos e brilhos. Sensações para serem vividas. Ergue a cabeça. Apaga um pouco de irracionalidade. Enxerga claramente qual é o significado de cada coisa em sua existência. Segue. Observado atentamente o rumo de seus passos. Sem querer engolir o próximo segundo. Esperando que todos venham. Ou não. Corre, apenas, para viver. Livre.

domingo, 28 de agosto de 2011

Passado Guardado

  Há um misto de tédio e euforia. Silêncio. A neblina permite. Bruma dissolvida em mistérios. Dor. Verteram todas as lágrimas. Secaram promessas. Regresso tardio. Saber. Conhecida sensação que permeia a madrugada. Risos. Entorpecida emoção instalada.
 Gritos. Sopro leve. Tenso. Emudecido. Candente. A leveza permanece. Suspiro. Mágoa. Imaginação. Jazida da sacramentada frase. Caos. Pacífica elevação. Medo. Horror. Poder imensurável. Manipulação de dúvidas. Olhares. Sentença.
 Outro julgamento. Solidão. Angústia. Inspiração. Palavras. Vieram. Todas. Separadas. Fragmentadas nas horas. Sublimadas na névoa. Chama. Recobra os sentidos. Divina face afastada. Cálice. Torre. Sentimentos. Sabor. Desejo incontrolável. Calor. Rubor. Tímida mão que passa despercebida. Devaneios implicantes. Caminho tortuoso para a memória.
  Condenação desnecessária. Clamor esquecido. Pânico. Sol. Brilho que finca o desespero do amanhecer. Casto semblante. Mais palavras. Mudanças. Satisfação. Gargalhadas jogadas ao vento do anoitecer. Quietude aproximada. Respiração que falha no desvanecer da lembrança. Cravada. Dilacerada. Apoquentada. Envaidecida.
   Compreensão. Atordoada incerteza do amanhã prometido. Suprida cor. Dos gestos aos detalhes. Da perdição à purificação. Da danação encontrada. Guardada e aproveitada. Vieram. Sentiram. Provaram. Adormeceram eternamente.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais um pouco sobre eles...



   O que dizer após uma overdose de sentimentos? Não sei. Sei somente que é preciso escrever. Eu preciso escrever. 
   Estive, por muito tempo, numa zona de conforto. Sim, já sei que sou atriz. Acredito cada vez mais nisso. Mas, existiam aqueles papéis que sempre me confiam fazer. Até que meu caminho se cruzou com o deles. Os sacerdotes outrora despercebidos por mim.
    Eu li e vi. Um mundo de possibilidades naquele texto. Sim. Meu coração disparou, na segunda vez que li, com atenção, sem o meu desdém cotidiano. Inês. Ela era minha nova meta. Seu olhar. Seu andar. Seus gestos. Pensava o que poderia fazer para trazer vida para as incríveis palavras ditas por ela.
    Então, ela saiu de dentro da minha alma. Porque, pela primeira vez, tudo fazia sentido. As emoções. A verdade. Toda a verdade que só habita os jardins desta autora. É. Pensei em fazer, inicialmente, por amar tanto o que a autora escreve. 
     Depois foi muito mais além. Senti uma conexão assustadora. Apaixonei-me por aquela dinâmica. Pela sensação. Pela vontade imensa de estar ali. De estar com aquelas pessoas. E o gosto daquele encontro é magnetizante. Ainda posso de dizer que é torturante quando eles não estão comigo. Rindo. Contando histórias. E dando vida a elas do meu lado.
    Satisfeita. Isso posso dizer, com toda a intensidade da minha alma. Cada passo. Cada fumaça soprada. Cada gole de vinho. Cada sentença dita. Cada toque e beijo. Cada momento. Todos valeram a pena. E a certeza da plenitude que habita em mim, após este encontro é insuperável. E sorri para o amanhã, sendo a mulher, a primeira, a múltipla, a devassa, a deusa, tudo que puder ser. Sim. Guardado um pouco de Inês em mim. E bastante deles também. Alegre. Sim, posso dizer...alegre, muito alegre.




Foto de Izabella Valverde. Design de Daniel Moreno.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Confusa Madrugada



   Sempre quis começar um post com a frase: "Vamos lá!". Sempre penso isso. Nunca fiz porque acreditava que não ficaria bom no texto. Mas, hoje, eu preciso. 
    Vamos lá! 
  O tempo passa e já não reconheço aquela do espelho. O reflexo tornou-se outro. O tempo. Este mostrou o quanto pode me desafiar. Agora, ele travará uma terrível batalha comigo. Sim, concordo que ele é um deus tirano. Este que afastará o melhor que já me ocorreu. Porém, neste momento, realizo que isso não será nada. Inicialmente, pensei que seria um teste. Uma provação. Contudo, é só olhar para trás e perceber as conquistas feitas para gargalhar e saber que este será somente mais um passo.
  Possuir tanto é uma honra. Aproximo-me de uma inexplicável plenitude. Ali, em volta daqueles que antes pensava conhecer, descobri muito. Posso afirmar que, naquele instante, soube mais do que nunca quem eles eram. Não foi forçado ou manipulado. Enxerguei tudo claramente. Sim. Preciso repetir para acreditar. A candente menina trancada na torre mais alta, nas vitrines da vida, ganha forma. Ela é real. Concreta.
  Olho para cada rosto para guardar a sensação. A nítida emoção de pertencimento. Conhecimento. Vislumbrar um futuro onde ser quem é não é pecado nem vergonha. Dizer a mais pura verdade. E o melhor: esta será celebrada. As palavras vinham da alma. As lágrimas misturadas com o sorriso. Confusão. Nem sei mais o que digo. Esta é aquela confusão daqueles que escrevem o que vem. Que visualizam as lembranças e as transformam em frases.
  Eu vi. Eu soube que a paixão me alucinara. Eu senti. Antes, egoísta. Odiava o mundo a sua volta. Queria apagar todos. Queria trancar em meu coração a história que viveríamos. O sofrimento vinha dessa compulsão. Obsessão. Vagueava. Cometia erros sem tamanho. 
  Suspiro. É preciso respirar profundamente. Pausa. Mais um gole de verdade e prossigo.
  Então...veio o dia. Em que todas as barreiras desabaram. Eu me encontrei enlaçada. Relutei, mas fui vencida por aquela magia. A energia que fazia o corpo pulsar na vibração deles. Entendi. Finalmente. Não poderia negar o que havia visto. Naquela noite, entreguei-me a eles secretamente. Tinham me conquistado e não sabiam.
  Hoje, o significado é mais claro. A lua brilha mais do que nunca. A tristeza quase me alcançou. Porém, a certeza é muito forte. Serão intermezzi descompassados. Será um pouco de dor. De saudade. Contudo, estará com eles. Aqueles que deixarei conquistar mais e mais minha confiança. 
  Quanto a mim? Não me preocupo. Tenho um vasto mundo de afazeres. A fantasia dos filmes. As horas. Memórias. Um coração que já tem dono. E digo com toda a minha verdade, esta tão celebrada verdade: este não será o primeiro desafio do destino. Estarei preparada. Com acordos ou não. Sei de mim. Última palavra. Sentença. Mais um gole de verdade e o sono que virá ao despertar, depois de mal dormir.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Deusa e a Fada



   Dias cinzas. Veneno que habita o corpo. Coração trancado. Quase cética. Impregnada pelas verdades. Numa solidão profunda. A mais forte existente. Sim. Então, veio a fada iluminada. Tentando quebrar correntes. Apagar sentenças e julgamentos. Entre abismos e desilusões, a deusa entregava-se lentamente.
   Com os olhos cansados, despia-se de qualquer posto dado por outros. Longe dos medos e impuros tratados. Não era o que disseram ou queriam. Sorria. Calmamente flutuava entre uma frase e outra. A tempestade veio, então. A deusa que de muito confiar, afastou-se do mundo dos sentimentos, constatou que a confiança é sim um bem valioso. Não se deve entregá-la a qualquer ninfeta despudorada. Muito menos para aquelas que se iluminam de vontades.
  A fada, abalada em suas convicções, já não sabe ao certo quando errou. Ou quando simplesmente o tempo foi necessário. O que ela queria mesmo, era a permissão para levar a outra aos mais fantásticos mundos. Deixar ser levada para a história que pode ser vivida. Dar-lhe o mundo. E em cada mimo um sorriso. Em cada cálida palavra um gesto. Porque já viu a deusa despida de armaduras. E naqueles olhos viu o brilho mais intenso de todos.
  Então, ela já entendeu muito bem o que quer. A fada. A felicidade da outra. Da menina escondida em metáforas e signos. Em uma brutalidade meiga. Na verdadeira essência que esconde para não se machucar. Não adianta disfarçar. É transparente. Sua fragilidade. Seu ímpeto de ser mais forte do que realmente é. A dor por trás da máscara da absoluta certeza de qual será o próximo passo. E nenhuma das duas sabe. O que virá.
  Ainda assim, a fada sabe bem que brinca com fogo. Que a próxima ação pode desabar o castelo construído. Mas, ela é paciente. Como bem já disse. Determinada, espera. Sempre esperou. Pela próxima abertura. Enxerida que só. Ri. Em seu jardim, que também existe. Nas madrugadas cobertas de fumaça. Na varada que outrora o pedido foi feito. E concedido, após eternas batalhas.
    Não esquecerá nada. Dessa história. Das lembranças. Das tardes. Das canções. Porque a deusa pode ter certeza que ganhou uma fada para si. E sua luz será somente dela. Sem nada em troca. Mesmo que não acredite. Um dia perceberá. Que tudo que pede é que a deusa seja feliz.

Quietude

  Apesar de toda angústia. Apesar da crônica solidão. Quero paz. Tranquilidade. Após tanta turbulência vivida. Sempre foi assim. Do instante que já possuía consciência. Há culpa minha também. A intensidade e a impulsividade já me cegaram completamente.
   Neste instante, quero me acomodar. Não digo parar de viver. Porém, deixar algumas coisas passarem. Seguir por uma estrada menos tortuosa. Nunca havia sentido tanta felicidade. Não quero que esta seja passageira. E, para que ela não se vá, é preciso mudar algumas realidades.
  Não se embriagar de sentimentos é o primeiro passo. Analisar situações antes de se entregar. Respirar. Não agir sem pensar. Quero viver. A minha história. Que se escreve enquanto vivo. Na verdade, cada frase é um desabafo.
  Cansei de travar batalhas perdidas. Espero, agora, que as conquistas cheguem. Pois, já plantei o que precisava. Por enquanto. E os clichês sempre vêm. Cobrem os desabafos. Necessito de um pouco de clichê e mágica. Só um pouco deles. Para inebriar-me de luz. Recarregar energias. Para começar tudo de novo.
   Estava muito perto de alcançar a chave. Daquela torre mais alta de todas. Mas, elas escorregaram. E já não sei mais o que fazer. Os dias passam. As obrigações do passado voltam a rondar o presente. As escolhas foram minhas. Terei que continuar a encarar os trabalhos exigidos. Porque escolhi assim.
  Outra vez, mergulharei num mar de atividades. As adoráveis horas de um tempo mais livre se foram. A realidade. Como trazer a vontade para ela. Como não sucumbir dentro do mundo cinza. Sim, meu mundo torna-se cinza quando não estou do lado deles. 
   O medo, no entanto, se foi. A rejeição pode chegar. A maturidade vem preenchendo a alma. Nunca será um processo rápido. A compreensão não pode ser pedida. Não pode ser pedido nada, na verdade. Nem farei mais isso. Peço mesmo é o silêncio. O leve toque da madrugada. Se quiser oferecer aceitarei. Contudo, não direi mais o que preciso.
   A verdade estará sempre posta. Ali. Sem pudores. Cruamente maravilhosa. Repleta de sensações. Caminho. Sem saber. Acompanhando enquanto ocorre. E o tempo gargalha. Olha para mim. Sabe que o egoísmo vai desaparecendo. O egocentrismo também. Só nas páginas deste diário retornam. 
   Agora, findarei meu consciente devaneio. Impura de sabedoria. De verdades. Somente sabendo que erros são cometidos. Atos românticos também. Delírios de amor. Impulsividades. Amizades em construção. Afazeres sem tamanho. Vontades. Emoções e sensações. E quem sabe um dia a paixão não toma conta de quem eu gostaria? Ou desabita meu coração? Só sei do real. Do agora. Da infinita certeza de ser quem sou. Na transfiguração de tudo isso. Não poder ser tão rapidamente. Na não desistência de propósitos. Não desistirei de nenhum propósito. Nunca.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Luminosidade

  Seus olhos. A poesia vem da forma como eles se movimentam. A impulsividade. O resquício do veneno mortal. A renovação. A força de um sentimento. Se pudesse estenderia um caminho de rosas para que passasse. Ofereceria o mundo. Todo seu coração. A sua alma.
   A canção continua. A memória repete as palavras. Círculo. Chamas. Dor. Recomeço. Confusão. Apesar de toda mudança. Sobraram as falhas da candente menina. Estas sempre existirão. Mas, somente ela sabe o que pode fazer. As possibilidades que tem. O coração dispara. O ar, outra vez, desaparece. Pois há a lembrança do beijo, de um momento que parece simples, mas é eterno, de tardes inesquecíveis. Únicas. Porque sua voz ecoava em seus pensamentos. Porque cada sentença era uma descoberta.
   Na verdade, a expressão vinha da desilusão consigo. Por ter tropeçado no reino da insegurança novamente. Agora, aprendeu. Com essa falha. Porém, outras ainda poderão chegar. E o caminho será sempre diferente do planejado. E o tempo sorri ironicamente. Ela. A fada de luminosidade abalada. Correndo para encontrar o brilho que a fez quem é. Pura de medos e inseguranças. 
    Contudo, nunca perderá a sinceridade. Essa domina sua realidade. A verdade é sua lei número um. Não importam as consequências. E a fada vestida de menina não deixa de sentir cada erro. A tensão vem disso. Não da perda ou do olhar triste da deusa flamejante. Esses também machucam. Mas, também, da falta de maturidade. Agora, ela entende que sua estrada é longa. E muitos frutos foram colhidos. Muitas vitórias conquistadas.
     Existe compreensão. O descontrole diminui. São pequenos pedaços de falhas ainda existentes. E a promessa de destruir estes pedaços é real. É forte e inesquecível. Ela espera. Domina impulsos. Vive cada segundo com o máximo de intensidade. Um dia saberá desfazer os nós da força da curiosidade. Da letal curiosidade. Confiante. Seguirá. Desejando. Sonhando. Vivendo. Entregando-se as vontades. Delirando ao sabor de cada beijo. Com olhares que se cruzam. Frases pronunciadas ao mesmo tempo. Horas, dias, que voam. E seu semblante mudará. E saberá que aquele coração, trancado naquele relicário de cristal, será apaixonadamente seu. Porque uma certeza ela tem, a determinação é seu trunfo. E sabe muito bem que há pertencimento.
     E sorri através da fumaça. Escutando a música que a deusa denominou sua. E a lua sussurra em seu ouvido que tudo ficará bem. E a torre desaba. E começa-se tudo outra vez. E  o melhor de si aparece. Então, vê a luz em sua alma voltar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Primeiro Passo

  Pernas trêmulas ao descer as escadas da torre. O amanhecer. Ele traz a renovação. Agora, abandona qualquer certeza. Respira. Viveu cada momento sem pensar no próximo. A intensidade de seus sentimentos cresce. Explodem em seu coração descompassado.
  O enorme medo talvez se dissipe. Se perca em lembranças de dias eternos. O real será somente o presente. E que venha o que vier depois. A madrugada provou isso. A latente chama controlada pelo pensamento no próximo. Esquecer a vontade de possuir. Esperar que olhares se cruzem, que a vontade seja infinita, que o próximo passo seja certeiro.
    Tempo. Palavra cruel. Insensível. Invisível. Concreto. Aguardar sem querer mais nada. Cada segundo que passa é o mais importante. O futuro queimará. A candente menina nunca desistirá. Paciência, menina. O mundo poderá ser seu.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Jornada



  É isso. O caos existe sim. Dentro de cada ser há um mundo. Sim. São eternos universos. O difícil é captar aquele necessário. Afinal, quanto mais complexo o sistema, mais trabalho se tem. Quando o coração se abre e a verdade é transparente, o corpo estremece e não há retorno.
  O medo se extinguiu. Há a imensidão da descoberta. Começar pelo mais complicado. É avassalador. O fôlego é dissolvido na camada da tênue fumaça da angústia. A dúvida de quando é o tempo certo para agir. Por onde começar. Qual é o melhor caminho. A emoção vem dessa sensação. O problema é a intensidade. As consequências são reais. Assumir isto é o problema.
  Tudo está escrito. Será concretizado. Cada respiração transforma. O tempo dita qual será a revelação. Aguardar é torturante. Mas, é preciso esperar. Um coração estilhaçado precisa recuperar-se. Paciência. Uma dádiva quase inalcançável. Querer alcançar a chave de qualquer forma inebria a razão. 
 Então, será isso. Sem pensar no futuro. Passo por passo. Dia após dia. Sem esquecer o principal objetivo. O desafio sem tamanho.
  Boa deusa que é, traçará firmemente sua meta. A conquista total. Sem pedidos. Sem cobranças. Acreditar é o primeiro passo da longa jornada. Esta nova jornada. Que começará agora. Quando os pássaros entoarem sua primeira canção, neste novo amanhecer que surge.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bring back my Bonnie to me...

  A liberdade chegou atrasada. A saudade vem. Os dias passam e parece que o esquecimento se instalou. Porém, as lembranças aparecem. De repente. Toda a vontade de que estivesse por perto. Toda a dor que retorna. Desaparece e regressa. 
  As canções. O passado. Com força absoluta finca-se a derrota. Da mágoa que outrora existiu. De batalhas que não eram minhas. E lutei bravamente. E, no fim, perdi. Momentos preciosos. Agora, não tem mais jeito. O que foi feito está acabado.
  Restou recordar. A realidade é cruel. Isso sempre soube. A voz não é mais a mesma. Nunca mais será ouvida. Por mais que eu queira intensamente escutá-la. E já conheço toda a grandeza de um sentimento escondido. Negar a necessidade da aproximação.
   A reconciliação. A certeza de que estaria para sempre comigo. A perda. A descoberta de que a separação existiria. De verdade. A culpa. Que jamais se apagará. Nunca. As conversas que não acontecerão. Antes consideradas algo do cotidiano. Banalizadas. Preciosas. Nunca esquecidas.
    No entanto, é necessário crescer. Aceitar os fatos. Porque a presença não é mais concreta. Mas, de alguma forma permanece. Para sempre será. Viverá. Na eternidade de pensamentos e mundos existentes.
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Restos
Há um resto de noite pela rua
Que se dissolve em bruma e madrugada.


Há um resto de tédio inevitável
Que se evola na tênue antemanhã.


Há um resto de sonho em cada passo
Que antes de ser se foi, já não existe.


Há um resto de ontem nas calçadas
Que foi dia de festa e fantasia.

Há um resto de mim em toda a parte
Que nunca pude ser inteiramente.


- I.T.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Brilho



   A vontade vem. É preciso escrever. Mesmo sem saber o que dizer. A escuridão se aproxima. O vento abençoa. Permite acreditar no próximo passo. São todos poeira. E silêncio. A tempestade é só mais uma parte. Do vendaval que mora em cada um. Da existência comprometida.
  Lágrimas. Canto baixo desliza pela alvorada. Cala-se. Som que enlouquece seus passos. Muda. Coração em eterno descompasso. A verdade foi selada. A seriedade abandonada. No entanto, era segredo. Revelado. Passou. Voa para o mais longe entardecer. Mais uma estação. Outra revelação.
   Suspiros. Retumbante espaço. Cálida mão percorre a alma. Gentil tempo que revigora a energia perdida. Desvanecida entre realidades. Criadas. Solicitadas num passado. Agora, distante. Rejuvenescida sensação. Vertida em poesia abandonada. Histórias recriadas. Expurgam a amargura estabelecida.
    Aproximando-se do caos, experimenta mais um toque. Da verdade resgatada. Da memória elevada. Do ser o que jamais foi. Da recriação dos sentidos. Do alvorecer sucumbido. Das sinceras lembranças repartidas. 
    Antes que a próxima torre abra as portas. Antes que a liberdade seja roubada. Antes que o amanhecer desapareça. Antes que se perca. Esconde-se. E mostra para o mundo um pouco de si.

sábado, 23 de julho de 2011

Passado. Não muito distante.



  A memória falha. Corre para os braços da ventania. Um dia e mais outro. E as falhas do ser transfigurado. Dor fina que quebra a barreira das consequências. Senta-se ao luar. Palavras que voam junto com a fumaça. Não mais proibida. Conquistada e revelada. Solidificada no auge das emoções.
 Súplica. Gélida imensidão da razão. Cores. Passagens. Novas. Solidão. Tortura de sentenças. Amargura renegada. Cálice que transborda morte. Beira a sorte. Corta a sensação purificada. Antes que finalize sua última batalha, estenderá a alma sangrenta. A sua. Já tão derrotada. Sua. 
   Escuridão. Delírio. Espaço. Toque infinito da madrugada cinzenta. Da alvorada alarmante. Da brutal certeza da unidade semelhante. Do punir despercebido. E cresceu. Mudou tudo. Fugiu. As lágrimas misturaram-se com sorrisos.
    O tempo. Passa. Veloz. Corrida eterna. Agora, alcança a plenitude. A quase liberdade. Ri outra vez. Não muito longe, derramava ódio e sofrimento. Acorrentada. Exilada do mundo que conheceu tão pouco. Respirou o ar puro. Viveu. Sofreu. Viu o real. Construiu seu castelo. Sua redoma. Pertence a si. Deixou para trás qualquer flagelo.
     E os pássaros cantaram. E a vibração não parou. O ano passou. Da masmorra se afastou. E o corpo flutuou sobre o infinito amanhecer.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sem desistir


   Amanheceu outra vez. O mundo passou e nem viu. Sentiu o corpo vibrar. Delirou. Enxergou novas possibilidades. Liberta da prisão que se encontrava, passou a viver intensamente. Aquela que tudo sempre soube apresentou sua verdadeira face. Descobriu quem poderia ser. Agora, é outra. Todos os dias uma nova configuração. E o espelho estilhaçado revela a real certeza. O real motivo de respirar.
    Acorrentada em devaneios suspira mais uma vez. Um grito mudo aparece em sua alma. Impactante. Dilacerante. A vontade domina a razão. Nos olhos calmos e vibrantes vê a chama se apagar lentamente. Tenta trazê-la de volta. Lembrar-lhe que o presente é o que importa. Ontem já se apagou. No futuro ninguém sabe o que ocorrerá.
   Ainda existe em algum lugar. É possível ver a candente sensação esmorecer. Quer arrastá-la para o júbilo mais eterno. Nunca desistirá. De salvar. De purificar sua existência de sofrimentos e negações. São caminhos que podem não ser tortuosos. A delícia de um sorriso. E risco do próximo passo. Sentir com a verdade máxima.
    Captou com cuidado extremo cada palavra que disse. E agora as segue. Firmemente. É necessário, então, repetir tudo. Para que se recorde dos ensinamentos. O acreditar tão forte faz o sangue ferver. E jamais deixa para trás o aprendido. E que venha a sede mais forte. Pois, saciará cada gole dela.

sábado, 16 de julho de 2011

Semana



  A noite. A lua. A fumaça que desliza. A memória. O doce gosto da lembrança. O delicado toque. Adormece. Sonhos acalentam a madrugada. Suspiros. Inevitável razão de ser e nunca ter sido. Outrora. Caminhada leve do saber. Trovoadas sinceras da alma. Rubor. Marca selada desvendada. Sorriso constante.
   O tempo. Outra vez. Nem sabe mais o próximo passo. Apaga certezas. Reconstrói sensações. Ilusões. Desvanecer. Intensidade sem controle. O mundo. Existe sim. Aquele e os outros. E a candente emoção. E o coração. Dono da morte inalcançável. Do poder perdido. Da vontade que não se cala.
     Já se foi. Apagam-se muralhas. Recobra a ternura. Eleva a pureza de sentidos. Cálice que transborda paixão. Cega fogueira atormentada. Cálida jazida. Segregada melancolia. Solidão temida. Não mais próxima. As horas corridas. Os olhares perdidos. Movimento por movimento. E já terminou. Sem poder congelar cada segundo. Viver e reviver.
     Mais palavras. Mais um para um eterno sentimento. Transfigurado. Renegado. Mudado. Marcado. Sentenciado. Revigorado. Confuso. Delicioso. Algoz das soluções. Conexões e sublimações. Repetições. Calmas. Sofisticadamente silenciadas. Posto jamais perdido. Procura. Busca incessante. Sábia. Coragem conquistada. Rápida. Tola desesperada. Por outro dia. Por mais um raiar de sol tão belo. Da mágica. De tudo que ocorreu. E ainda há mais. Sempre. 
        Outra página. E a canção. Suplicante. Risada que ecoa. Música perfeita para embalar o sono profundo. E o mais feliz acordar existente. E assim segue. Com a alegria além do limite. Outro suspiro. E a noite continua...

terça-feira, 12 de julho de 2011

A janela



     O dia corria. O mundo não parava. Minha existência se reduzia aos afazeres daquela manhã. Suspiro. Ansiedade. A noite veio. O coração palpitava. Num descompasso sem tamanho. Mal respirava. Então, a presença inebriante surgiu. Seus olhos agitados agora estavam parados. A surpresa. Para mim também. As horas, em sua crueldade, passavam depressa. Queria segurar cada minuto.
    Tudo cresce. Movimenta-se. Torna-se ainda mais real. As canções aumentavam as batidas fortes da alma. Outro suspiro. Quase um sonho. Um portal que se abria. Trazendo momentos inesperados. Sinceros. Leves. Puros. Inacreditavelmente concretos.
    Depois, o amanhecer. Este sempre vem. A luz do sol irradiava a mesma vibração do corpo. A música que ainda tocava. A mente que divagava. E o despertar das sensações de um passado recente. A aura iluminava o recinto. Sabia com toda a certeza que era de alguém. A reciprocidade estava ali. E sabia quem importava.
    Ainda com o gosto da alegria, seguiu seus dias. Viveu. Fez o que tinha que fazer. Em transe, porém. Talvez, nunca acorde. Talvez permaneça naquele estado para sempre. Talvez. E a incerteza disto é ainda melhor. Porque o presente é quem oferece as melhores escolhas. E sempre temos o próximo passo. E o sofrimento que finca a sua bandeira. E a outra que tenta apagá-lo. Em vão. 
     Novamente, o tempo. Só ele dirá. Só ele sabe bem qual será o próximo passo. Em qual estrada caminharemos. E o destino selará a aurora da precisão. Brilharão todos. Conquistará a liberdade. Tão sua. Breve. Insensata. Ou não. Será desilusão. Ou não. Ou amargura. Saber pode ser tormento. Por isso, guarda as recordações de cada sensação. Das emoções de outrora e do agora. Até o fim. Existente ou não. Por ela ou por outrem. Por todos. Pelo infinito.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Existência

   Leve e sussurrante ventania. Aconchego demasiado. Plana o delírio. Soletra possibilidades. Segue. Corre. Luta. Inflama. Mais dois passos para a sorte. Nega. Afirma. Esconde. Lágrimas. Sortilégio da alma silenciada. Sorve. Deita. Acorrenta. Foge. Palavras. Soltas. Refrescante brisa. Nas montanhas distantes. Esquecidas. Relembradas. Calmamente aproximadas.
    E o sonho. Leve. Apagado. E a memória. Cálida. Desvanecida. Mente. Recordação soterrada. Sofrimento acalentado. Parte para a alvorada do sucesso. Vem o mar. As ondas. O belo céu cintilante. A bruma da madrugada. A proibida sensação elevada. Gestos. Pensamentos. Cravados. Sinalizados. Penalizados. Sentenciados.
    O sentido resta. Somente meu. Somente as minhas pueris ideias. Ideais. Jazida incerta. Marca deixada. Rubra face. Pálida. Tranquila. Abandono da escuridão. Nas trevas. Nas tão sonhadas trevas. Vagueia pela noite. Incendeia o amanhã. Tropeço sem fim. Velada amargura. Suspiros de dor infinitos.
   Seleta purificação. Gélido abismo. Poço da revigorante dúvida. Quebra. Parte. Caminho tortuoso. Sangrento. Apoquentado. Apaziguado. Reconquistado. Gira o mundo sem fim. Regresso. Melancolia. Emudecida. Recobrada. Cristalizada. No mais distante altar envaidecido.
    Brutalidade. Fulgor. Temor. Vão e voltam. Revezando-se. Eterna. Dilacerante. Fulminante. Cólera. Mágoa. Novo. Somos. Todos. Constantemente. Sucumbe. A razão. Ao coração. Enfraquece. Adoece. Recupera-se. Se finda. Recomeço. Sátira de si. De mim. Do universo. Cala-se. Amanhece novamente. E a risada ecoa. Os pássaros murmuram seu canto. Mais um dia. Mais um. E outros. E pronto.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Áries e eu

   Minha alma está vazia. Sentimentos nulos. Tanta animação. Farras. Bebidas. Caos. Maior ainda dentro de mim. De repente, a saudade daquele beijo. Há muito tempo não sinto. Essa falta. Este tipo de sentimento. Aquele que pensava que nunca iria acontecer.
   Agora jaz dentro de mim. As verdades. Guardadas. Talvez esconda para mim a realidade. A frieza já se foi. Porém, não enxergo sentido em certos gestos, palavras e atitudes. Queria que estivesse aqui. Também  não queria. Já não sei. De mais nada. Está tudo certo. O errado vive em mim.
     Gostaria de ser livre. De esquecer o mundo. Estou acorrentada. A paixão. Aos dias. Aos afazeres. E sei que tenho que saber dividir. A minha atenção. Meu tempo. E o seu. Onde reinam fadas, sacerdotes, deuses e deusas. Medusas torturadoras. Elfos dilacerantes. Escorre o tempo. Voa até não poder segurá-lo. E a lágrima desvanecida.
     Já sei muito bem o que fazer. Mas a vontade não pode ser maior. Maior do que a dignidade. Do que a solidão. De tudo que resta de coragem. Sem fraquezas. Sem misericórdia e melancolia. A mágoa se foi. O rei continua com sua coroa. E a torre ainda cresce. Cada dia mais alta. Enorme. Completamente inebriada pela turva saudade. Pela neblina do que ronda. Cercada de opções que não preciso. Que não desejo.
     Enquanto isso, a distância mata e alucina. Diminui e aumenta. Compreender é impossível. Não me conheço. Ninguém me alcança. O amor não me afeta. Menos um. Só aquele. O repartido. Sim. Já disse que não me importo.
      O mundo grita. Clama por uma resposta minha. E eu falei. E eles insistem. Cansei. Não é revolta. Nunca existiu dúvida. Queimem. Derrotem. Bebam quanto quiserem da deusa conquistada. Sorvam. Tomem todos os goles. Embriagar-me deste enlace é maior do que eu. Do que a verdade. Do que a mancha impura do ódio. Então, gritem. Riam. Provoquem. E onde quer que esteja, com quem esteja. Estarei aqui. Esperando o que for. Quem for. Pronta para qualquer luta, para todos os júbilos, para cumprir todos os deveres. Sempre. Até o último suspiro de alegria.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Simples

   Nunca mais serei a mesma. Porém, sinto a vida voltar. Curo-me da doença. Aos poucos. Fica, no fim, somente o amor. Este cresce. Alimento-me dos dias e das minhas vontades. Amadureço da maneira mais correta. Agora sim estou no rumo certo. Naquele em que minhas expectativas são atendidas. Cumpro, lentamente, o que estava destinada a cumprir.
    A verdade é que sou dona de mim. Precisava me lembrar disso. Estranho pensar que a medida das coisas tinham se perdido. Abandonar afazeres e amizades. Sucumbir em lágrimas. Por nada. A normalidade das situações purifica o coração desamparado. A solidão é um mal. Sim, eu sei. Contudo, enxergo que era eu quem impunha esta para mim.
     Rodeada de alegrias e momentos percebo o real sentido da vida. Do que temos ou não que fazer. De uma necessidade desvanecida. Afinal, encontrarei o doce beijo algum dia. Enquanto isso, as horas correm. Loucamente. Tento segurar algum instante para sentir, outra vez, a madrugada revigorante. 
     As manhãs passam a ter cor. As risadas são verdadeiras. Desligo-me. Aparecerá. Sei que vai. Sem desespero aguardo. Sem pânico. Calmamente. Até que seu sorriso iluminará minha alma. E seguirei. Sem parar. Meus objetivos são claros. Meu caminho também. Não é só esse. É também esse. Então, não abandonarei, não é disso que falo. É de liberdade. Esta eu possuo. Não estou mais presa na minha torre. Ainda assim, não tenho como salvar ninguém. Quando quiser escapar dela é só dizer. Mas, não acredito em salvações impossíveis. 
     Neste instante, sou eu quem escolhe. E a minha escolha é a mais simples. Sem amarras ou correntes. Sem trabalhos que não amo. Faço que gosto. A complexidade se finda aqui, quando realizo que a felicidade me cerca. Escuto o barulho do final da manhã e sei que estou completa.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sais Pas

  Sim, sofro do mal da ilusão. Sim, sempre soube que os caminhos levariam a um só lugar. Sim, eu já nem mais sei aonde irei. O vazio é enorme. A sede de ter o que nunca sei. Não vislumbro saída. É angústia. Um aperto. Recorro à salvação. Aquela que criei.
   No fundo, eu sabia todo o tempo. Faço o que tenho vontade. Entrego-me aos impulsos. Como disse no passado, eu sou hedonista. Quero sentir o que for para ser sentido. Agora. Depois, que venham as tempestades. Os cálices de dor. Trasbordam. Em uma perfeita combinação de gestos. Mudos. É o silêncio que negocia o pacto.
   Depois, a amargura. O  possuir inexistente. O recomeço. A liberdade sussurra aventuras. Novas sensações. Não busco mais romances, nem histórias cinematográficas. Na verdade, nem penso mais nisso. Porém, não sei o que preciso. Tenho tudo. E nada. Sou possuidora das mais significantes presenças, dos dias belos, das noites incendiadas pelo desejo.
    Ainda assim, a madrugada escorre. Falta algo. Concretude. Talvez seja isso. O ar some. Eu sei que são só palavras. Contudo, o que sinto é tão turvo e contraditório. Com todos. Com tudo. Eternamente. Inevitavelmente. Com um resquício de esperança. Que não se finda. Pois, resta-me aquela paixão. A única que me traz verdadeiras emoções. A última.